Fé + Resgate da Cultura
Em breve viagem nesta última terça feira, fui a Guanhães, cidade distante 240Km de BH registrar o resultado de um projeto muito bem executado, diga-se de passagem. Acompanhado do Gustavo, da Estilo Nacional – Arquitetura, Cultura e Preservação, empresa responsável pelo projeto que possibilitou a captação de recursos do fundo estadual de cultura para a restauração da Capela de Nossa Senhora do Carmo, conheci a cidade, a capela e todo o trabalho realizado além de pessoas interessantíssimas.
Uma coisa é fato: quando se chega a um lugar onde nunca se esteve anteriormente, a primeira coisa que queremos é ganhar a confiança de alguém pra ter a quem recorrer. Fui apresentado ao Roginho, logo que chegamos na capela. Típico mineiro, quieto, voz baixa, mãos calejadas, barba grande e algumas bolsas do tipo nas quais se carrega o que tem de mais precioso na vida. Não demorou muito e minha confiança foi ganhada. Começava ali uma viagem histórica, contada nos mínimos detalhes.
A barba grande denotava experiência. Não sei porque, mas barba grande me traz a idéia de experiência de vida. Roginho me convidou para entrar na Capela, já restaurada. A cada item que eu apontava a câmera, vinha a história por traz do mesmo. De item em item, detalhe em detalhe, acabei conhecendo a história completa da capela, que tem partes vindas de vários locais das Minas Gerais.
Naturalmente, o papo se desenrolava a todo momento. Desde a quase ruina até o resgate das peças extraviadas da capela, “causos” fúnebres e de fantasmas, passando pela vida das pessoas da cidade, nas mais diferentes épocas até os nomes e etimologias, tribos e madeiras empregadas nas construções, Roginho me proporcionou uma aula, da qual dificilmente esquecerei.
Durante a solenidade, a menção a sua pessoa, no que diz respeito a importância da comunidade no resgate da cultura e do patrimônio, fez-lhe brilhar os olhos. Ao final, na presença do Bispo e do Terno regional, pude ver o tesouro guardado nas bolsas. Cuidadosamente, Roginho tirou e desenrolou sua santa, para que a benção a contemplasse. O terço espanhol também se fez presente, sobre o qual indaguei e ganhei uma aula bônus!
A fé e o empenho dessas pessoas aliados a vontade de preservar a história através das gerações nos dão verdadeiras lições de vida. Lições das quais nunca esqueceremos e que certamente faremos uso algum dia, em algum momento de nossa existência.



Ao som de Nação Zumbi – Bossa Nostra.





Juliano, muito bonitas essa sua série de fotos!!! Elas realmente conseguiram passar essa questão da força da fé e da religião, e de como ela é forte aqui em Minas. Bacana demais também vc falar sobre esse templo meio “perdido” q foi essa igreja que vc visitou. Lugares incríveis que boa parte das pessoas nem tem conheimento da existência, e que aqui em Minas tem aos montões. Nossa, muito bonita mesmo a sinceridade e a devoção que essas suas imagens mostram…